As bets saíram do ar: o que muda para o torcedor
Saldo devolvido pelos bancos de 9 a 14/10, camisas sem marcas de bets a partir da 29ª rodada e o que o STF ainda pode decidir.
Atualização (14/10/2026): o prazo dos bancos para devolver os saldos termina nesta quarta-feira (14), e o que não for pago passa para a Caixa. Revisamos abaixo o que fazer se o dinheiro não caiu, o que já mudou nas camisas e em que pé estão o STF e o Congresso.
Desde 6 de outubro de 2026, os sites e aplicativos de apostas esportivas devem estar fora do ar no Brasil. É a etapa mais visível da MP 1.394/2026, que proibiu as bets em 25 de setembro — inclusive as empresas que tinham autorização federal. Para quem acompanha futebol, a mudança aparece em três lugares: no dinheiro que ficou parado nas plataformas, na camisa do seu time e no que você vê na TV e no estádio. Abaixo, o que acontece em cada frente, com as datas do cronograma oficial.
Transparência: somos contra a proibição das casas legalizadas e explicamos o porquê neste texto. Esta matéria é só serviço — não indicamos casas de apostas e não há links para elas.
Tinha saldo numa bet? O dinheiro volta pelo banco ou pela Caixa
O prazo para sacar por conta própria terminou na segunda-feira (5/10), às 23h59. Quem não sacou não perde o dinheiro: a devolução é feita pelos bancos, por CPF, de preferência na mesma conta de onde saiu o depósito, sem necessidade de pedido. Como ficou o calendário:
- 7 e 8/10: prazo para as empresas passarem aos bancos o saldo de cada apostador. Segundo o governo, oito não enviaram os dados, e a AGU vai à Justiça para cobrá-los; se a sua plataforma estiver entre elas, o crédito pode demorar mais.
- De 9 a 14/10: prazo dos bancos para depositar os valores. Até sábado (10), mais de R$ 1 bilhão tinha sido devolvido e faltavam R$ 159 milhões, de 22,5 milhões de apostadores. Nove em cada dez contas tinham menos de R$ 1 a receber.
- Depois de 14/10: o que os bancos não conseguiram pagar (conta encerrada, dado divergente) vai para uma conta da Caixa Econômica Federal, que passa a cuidar da devolução.
O dinheiro não caiu até 14/10? Confira o extrato da conta que você usava para depositar, porque é ali que a devolução deve aparecer. Se nada entrou, o direito ao dinheiro continua, e o saldo pendente vai para a Caixa. Até a publicação desta atualização, a Fazenda não tinha detalhado como será o atendimento nesses casos; o ministério informou que as orientações sairão pelos canais oficiais. Enquanto isso, guarde comprovantes de depósito e prints do saldo que aparecia na plataforma.
Cuidado com quem pede senha, Pix ou “taxa”
O processo oficial não prevê cadastro, taxa ou qualquer pagamento por parte do apostador. Nos avisos dos últimos dias, o governo repetiu que ninguém precisa pagar nada nem informar senha ou código para receber o saldo. Com a passagem dos casos pendentes para a Caixa, a regra continua valendo: desconfie de mensagem, ligação ou perfil que peça senha, código de verificação, Pix ou “taxa de liberação” para soltar o seu dinheiro. Na dúvida, não clique em link nenhum e confira direto no aplicativo do seu banco, nos canais oficiais da Caixa ou no gov.br.
E os sites de apostas que continuarem no ar?
A partir de 6/10, qualquer site de apostas de quota fixa funcionando para brasileiros está fora da lei — tanto os que tinham licença quanto os que nunca tiveram. A MP prevê o bloqueio de domínios pela Anatel e multa de até 10% do faturamento, limitada a R$ 50 milhões, para plataformas, redes sociais e lojas de aplicativos que veicularem ou mantiverem esses serviços.
Para o apostador, o risco é concreto: um site que opera na ilegalidade não tem fiscalização da Secretaria de Prêmios e Apostas nem obrigação de devolver saldo. Se ele some do ar de um dia para o outro, o dinheiro some junto, e não há a quem recorrer no Brasil.
A fiscalização já está em curso. Pelos números oficiais, de 25/09 a 09/10 o governo mandou para bloqueio 16.627 endereços ilegais de apostas e pediu a remoção de 3.691 páginas, perfis, canais e grupos em redes sociais e aplicativos de mensagem.
A camisa do seu time já mudou
Os clubes tiveram até 5/10, às 23h59, para tirar as marcas de bets de uniformes, placas e materiais de propaganda. A regra fala em retirar toda publicidade e sinais de patrocínio de apostas de quota fixa, o que inclui também redes sociais, sites e papelaria dos clubes.

O impacto no futebol é grande. Em 2026, 14 dos 20 clubes da Série A tinham ou tiveram uma bet como patrocinadora máster, e a conta dos patrocínios do setor no futebol brasileiro chega perto de R$ 1 bilhão por ano, segundo levantamentos da imprensa. Seis clubes da elite já jogavam sem bet no peito: Athletico-PR, Bahia, Coritiba, Internacional, Mirassol e RB Bragantino. O Flamengo, dono de um dos maiores contratos, estima perder até R$ 430 milhões e entrou como parte interessada nas ações no Supremo. Ao todo, mais de 20 clubes já pediram para entrar nesses processos.

A 29ª rodada do Brasileirão, em 7 e 8 de outubro, foi a primeira sem as marcas de bets nos uniformes e nas placas. Parte dos clubes jogou com o espaço do patrocinador máster vazio; outros estamparam marcas de fora do setor. Na quinta (8), contra o Santos, na Vila Belmiro, o Flamengo ocupou o lugar da antiga patrocinadora com a frase “Proibir não é proteger”, lema da campanha das associações do setor contra a MP. No Fla-Flu de domingo (11), pela 30ª rodada, Flamengo e Fluminense entraram em campo com a mesma mensagem.
Posso continuar usando a minha camisa com patrocínio de bet?
Pode. A proibição vale para quem anuncia e para quem exibe a marca comercialmente — clubes, empresas, veículos. O torcedor que usa uma camisa comprada antes da MP não comete infração, no estádio ou fora dele.
Na TV, na internet e no celular
A publicidade nova de apostas está proibida desde 25/09, e a que já estava no ar teve de sair até 5/10: comerciais, ações com influenciadores, banners e notificações de aplicativo. Os aplicativos das casas tinham de sair do ar junto com os sites, em 6/10, e as lojas de aplicativos ficam sujeitas às mesmas multas das plataformas se voltarem a oferecê-los. As emissoras de rádio e TV, que perderam esses anúncios, pediram ao STF a suspensão da MP por meio da Abert, a associação do setor.
O que ainda pode mudar
A MP já vale como lei, mas não é definitiva. São dois caminhos:
- Supremo e Justiça Federal: as entidades do setor pediram a suspensão da MP nas ADIs 8024 (Anseja) e 8027 (ANJL, com apoio do IBJR). O relator é o ministro Luiz Fux. Na direção oposta, a Advocacia-Geral da União (AGU) defendeu em 2/10 que as próprias leis que legalizaram as apostas, de 2018 e de 2023, são inconstitucionais. Até esta quarta (14), Fux não tinha decidido. Uma liminar da Justiça Federal em São Paulo, que deixava uma das antigas autorizadas operar até 25/10, durou um dia: saiu na quinta (8) e foi suspensa pelo TRF-3 na sexta (9), a pedido da AGU.
- Congresso: deputados e senadores têm até 120 dias para aprovar, mudar ou rejeitar a MP. O prazo de emendas fechou na terça (13) com 99 sugestões de mudança, várias delas para liberar as apostas esportivas ou manter os patrocínios dos clubes. A comissão que vai analisar o texto ainda não tem relator, e a discussão deve ficar para depois do segundo turno, em 25/10.
Acompanhamos cada passo e atualizamos a nossa matéria sobre a MP 1.394 sempre que houver decisão.
E o OddsFutebol?
Seguimos fazendo o que sempre foi o coração do site: ler o jogo com dados. Os palpites continuam como leitura de partida — forma, tabela, retrospecto e xG — e, depois do apito final, o resultado entra na mesma página, acertando ou errando. Também estão no ar as dicas do Cartola a cada rodada, os dados do Brasileirão (xG, mandantes, artilharia, chances de título e rebaixamento) e os jogos de hoje com horário e onde assistir. O que mudou: não mostramos mais números de odd, não indicamos casas e não há links para elas.
Se a aposta virou problema
Para muita gente, o fim das bets vai ser só uma mudança de hábito. Para outras pessoas, pode ser o momento de perceber que a aposta tinha ido longe demais — e também um período de ansiedade. Se for o seu caso, ou de alguém próximo, você não precisa passar por isso sozinho: o CVV atende pelo 188, de graça e a qualquer hora, e os Jogadores Anônimos têm grupos de apoio presenciais e online. Reunimos os contatos na página de jogo responsável.
As bets saíram do ar?
Sim. Desde 6 de outubro de 2026, sites e aplicativos de apostas de quota fixa devem estar fora do ar no Brasil, pela MP 1.394/2026. A proibição vale também para as empresas que tinham autorização federal; as loterias tradicionais não foram atingidas.
Não saquei meu saldo até 5/10. Perdi o dinheiro?
Não. Os bancos tiveram de 9 a 14 de outubro para devolver os saldos, por CPF e de preferência na conta usada para depositar, sem que o apostador precise pedir. O que não foi pago nesse prazo vai para a Caixa, e quem não recebeu continua com direito ao valor. Ninguém precisa pagar taxa nem informar senha para receber.
A proibição das bets pode cair?
Pode. O Congresso tem até 120 dias para votar a MP, e o setor pediu a suspensão no STF (ADIs 8024 e 8027, relator Luiz Fux). Até 14 de outubro, não havia decisão no Supremo, e a MP tinha recebido 99 emendas no Congresso, parte delas para liberar as apostas esportivas.
+18. Ministério da Fazenda adverte: Apostar pode causar dependência. Em caso de necessidade, procure o CVV (188) ou os Jogadores Anônimos. Conteúdo informativo, sem promessa de lucro e sem indicação de casas de apostas. Fontes: cronograma do governo federal (Agência Gov), balanços do governo publicados por Agência Brasil, CNN Brasil e SBT News, site do Congresso Nacional, Poder360, Metrópoles, Band, B3/Bora Investir, NC News, The Football, MMT Advogados e decisões e manifestações publicadas no STF e no TRF-3.